conto I

Naquele momento, nada mais lhe passava pela cabeça a não ser a aparição dela, cansada mas sorridente, desprevenida porque, apesar de contar vê-lo, não sabia que ele a estava a observar naquele ou noutros momentos antes.
No diálogo mudo que se iniciou, o olá foi estrondoso de mais e quase tão significante quanto o que não se disse.
O coração, como sempre, quase lhe saiu pela boca, pelo menos, assim lhe parecia...
ele olhava-a e ela, em silêncio, gritava-lhe o que a raiva há muito tempo lhe queria dizer.
"eu sei que me queres, sei que me olhas, sei que me sentes tua, talvez, por isso, te esqueças que o posso deixar de ser um dia, não por deixar de te querer, mas por me cansar de saber que me queres, mas continuas à espera que seja eu a fazer tudo. e, no meio dos berros, ela sorri-lhe acalmando porque sabe o difícil que é começar de novo, sair do conforto de algo para tentar algo desconhecido.
diz-lhe a amizade também conta e que mais não espera dele, mas tem que ser ele porque a ela foi-lhe posta uma barreira.
explica-lhe como fazer:
1ª hipótese - telemóvel, lista de contactos, encontrar número, tecla ligar, bip,tecla desligar.
2º hipótese - internet, mail, nova mensagem, conteúdo:"olá! como estás? hoje sinto-me bem! fica bem!" enviar mensagem
3ª hipótese- igual à 1ª mas deixar tocar até atenderem...

ele lê-lhe no rosto e no sorriso:

"Fica. não vás..."

Comentários

Anónimo disse…
as barreiras são uteis, mas por vezes torna-se necessário transpo-las e seguir o caminho que o coração nos indica.... mesmo que não seja o que esperavas. "a tradição já não é o que era"
Lídia disse…
não é uma questão de tradição, mas uma questão de permissão... para entrarmos num mundo que queremos para nós, mas que alguém nos tem de abrir a porta...

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