poema XV de Pablo Neruda
Descobri este poema, por acaso, dito por Alejandro Sanz e, talvez fosse da voz dele ou até mesmo da sonoridade do castelhano, senti algo de estranho quanto ao mesmo.
Deixo-vos com a versão portuguesa do poema:
Deixo-vos com a versão portuguesa do poema:
Poema XV de Pablo Neruda
Gosto quando te calas
porque ficas ausente,
e me ouves desde longe,
e a minha voz não te alcança.
Parece que teus olhos tivessem voado
e parece que um beijo,
te cerrase a boca.
Como todas as coisas estão cheias
de minha alma...
emerges tu das coisas,
cheia da minha própria alma.
Borboleta de sonhos,
és como minha alma
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto quando te calas
porque ficas ausente,
estás como que se lamentando,
borboleta que sussuras.
Me olhas de longe e minha
voz não te alcança.
Deixa que me cale com teu silêncio.
Deixa que eu também fale com teu silêncio,
iluminado como uma lâmpada,
simples como uma aliança.
És como a noite quieta e estrelada,
teu silêncio é como uma estrela,
tão distante e singelo.
Gosto quando te calas
porque ficas ausente.
Distante e dolorida como se tivesses morrido.
Uma palavra então,
um sorriso basta.
E já fico feliz,
feliz com aquilo que não é certo.