"o velho que lia romances de amor"

Acabei de ler “O velho que lia romances de amor” e deliciei-me…
Fico-me pelos excertos:

“António José Bolívar Proaño lia romances de amor, e em cada uma das suas viagens o dentista abastecia-o de leitura.
- São tristes?- perguntava o velho
-De chorar rios de lágrimas - garantia o dentista.
- Com pessoas que se amam mesmo?
- Como ninguém nunca amou.
- Sofrem muito?
- Eu quase não consegui suportar - respondia o dentista.” ~

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“- É verdade que sabes ler, compadre?
- Alguma coisa.
- E que é que estás a ler?
- Um romance. Mas cala-te. Se falas a chama mexe-se e mexem-se-me as letras.
O outro afastou-se para não estorvar, mas era tal a atenção que o velho prestava ao livro que não suportou ficar-se à margem.
- De que é que trata?
- Do amor.
(…) – Não me lixes. Com fêmeas ricas, das que fervem?
O velho fechou o livro num repente fazendo tremer a chama do candeeiro.
- Não. Trata-se do outro amor. Do que dói.”
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“António José Bolívar Proaño tirou a dentadura postiça, guardou-a embrulhada no lenço, e, sem parar de amaldiçoar o gringo que estivera na origem da tragédia (…) pôs-se a andar na direcção de El Idílio (…) e dos seus romances, que falavam do amor com palavras tão bonitas que às vezes lhe faziam esquecer a barbárie humana.”

Comentários

Anónimo disse…
Infelizmente, o Sr. Sepúlveda passou-se...
Usa agora a pouca exposição que lhe resta (da muita que granjeou), em chorrilhos políticos de extrema esquerda, desprovidos de honestidade e sem qualquer tipo de utilidade.
Desde a morte de Pinochet, o Sr. Sepúlveda parece um miúdo contente pela vitória num jogo de berlindes.
Infelizmente, há duas realidades que lhe negam a simplicidade dessa vitória:
- a primeira é que as marcas vergonhosas da ditadura de Pinochet, e a vitória sabuguenta dos chilenos, nada têm de juvenil e vitorioso.
- a segunda é que a fascinação do Sr. Sepúlveda por essa vitória podre, tolheu-lhe a fantasia e a capacidade de conquistar o mundo com aquilo que o Chile tem de melhor: um jeito exótico e único de uma Patagónia latina e humana.

"O velho que lia romances de amor" é, sem margem de dúvida, um livro longe das exigências e gostos dos académicos-das-altas-esferas-da-compreensão. Mas é também, sem sombra de dúvidas, uma pérola de bem escrever, cheia de sensações fortes e sensíveis.

Obrigado por me lembrares disso!
Vou relê-lo.

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